Prazo final do IRS 2026: procura por contabilistas dispara 60% e já são seis milhões de declarações entregues
O prazo para a entrega da declaração anual de IRS referente ao exercício de 2024 chega ao fim nesta terça-feira, depois de três meses consecutivos de submissões. O Portal das Finanças regista, até ao momento, cerca de seis milhões de declarações recebidas, um número que evidencia a elevada adesão dos contribuintes ao cumprimento das obrigações fiscais. No entanto, o aumento da complexidade do processo e as constantes alterações legislativas levaram a uma procura sem precedentes por profissionais de contabilidade: as solicitações de serviços de contabilistas cresceram 60% face ao ano anterior.
O contexto do prazo final e o volume de declarações
A campanha do IRS de 2025 decorreu entre 1 de abril e 30 de junho, período durante o qual os contribuintes puderam submeter a sua declaração de rendimentos. Segundo dados oficiais da Autoridade Tributária, o total de declarações entregues ultrapassou os seis milhões, número que inclui tanto declarações individuais como conjuntas. Este volume representa a quase totalidade dos contribuintes obrigados a declarar, restando apenas os casos de último minuto ou aqueles que, por alguma razão, ainda não regularizaram a sua situação.
O término do prazo não é apenas uma data simbólica: a partir do dia seguinte, os contribuintes que não tenham submetido a declaração ficam sujeitos a coimas e juros de mora, podendo ainda perder o direito a eventuais reembolsos ou benefícios fiscais. Por esse motivo, os últimos dias da campanha são sempre de grande movimentação, tanto nos balcões das finanças como nos gabinetes de contabilidade.
Por que a procura por contabilistas aumentou 60% este ano?
O aumento expressivo na contratação de serviços de contabilidade não é fruto do acaso. Vários fatores contribuíram para que os contribuintes recorressem cada vez mais a profissionais especializados:
- Alterações legislativas frequentes – Nos últimos anos, o código do IRS sofreu modificações significativas, nomeadamente nas tabelas de retenção na fonte, nos escalões de rendimento e nas deduções à coleta. Acompanhar todas essas mudanças tornou-se uma tarefa hercúlea para quem não está familiarizado com a legislação fiscal.
- Digitalização dos processos – Embora o Portal das Finanças tenha evoluído, muitos contribuintes sentem dificuldades em navegar pelas diversas secções, anexos e campos obrigatórios. A validação de faturas, a simulação de IRS Automático e o preenchimento manual de anexos como o A, H ou J exigem conhecimentos que vão além do básico.
- Aumento da complexidade dos rendimentos – O crescimento do trabalho independente, do investimento em criptomoedas, do alojamento local e de outras fontes de rendimento atípicas levou a que um número crescente de contribuintes necessitasse de apoio especializado para declarar corretamente todos os valores.
- Receio de erros e penalizações – Com o apertar do controlo fiscal e a comunicação de dados entre entidades (bancos, seguradoras, plataformas digitais), qualquer erro na declaração pode despoletar uma inspeção ou uma correção oficiosa por parte da Autoridade Tributária. Para evitar dores de cabeça, muitos optam por pagar a um contabilista.
“Nunca antes tivemos tantos pedidos de ajuda para preencher o IRS. As pessoas estão cada vez mais conscientes de que um erro pode custar caro, e preferem investir num profissional a arriscar uma coima ou a perder deduções a que têm direito”, afirma uma contabilista certificada com mais de 15 anos de experiência.
Dicas para quem ainda não entregou a declaração
Se está entre os contribuintes que ainda não submeteram o IRS, saiba que ainda há tempo – embora escasso. Eis algumas recomendações práticas para conseguir cumprir o prazo sem sobressaltos:
- Recorra ao IRS Automático – Se os seus rendimentos são maioritariamente de trabalho dependente ou pensões e não teve grandes alterações patrimoniais, esta opção pré-preenchida pela Autoridade Tributária é a mais rápida e segura. Basta confirmar os dados e submeter.
- Tenha todos os documentos à mão – Reúna os comprovativos de rendimentos (declarações da entidade patronal, recibos verdes, pensões), despesas de saúde, educação, habitação, lares, e faturas com número de contribuinte. A organização prévia evita erros de última hora.
- Não se esqueça dos anexos específicos – Se teve mais-valias mobiliárias, rendimentos de criptoativos, ou exerceu atividade independente, certifique-se de que preenche o anexo correto. O Portal das Finanças disponibiliza guias e simuladores, mas nem sempre são intuitivos.
- Considere a ajuda de um profissional – Se a declaração for complexa, ainda pode contratar um contabilista online ou presencial. Muitos gabinetes têm horário alargado nesta reta final e aceitam submissões de última hora mediante pagamento.
Para facilitar o processo, existem ferramentas que podem ajudar na organização e no cálculo. Por exemplo, um guia prático atualizado sobre o IRS pode esclarecer dúvidas frequentes sobre deduções e prazos. Já quem lida com múltiplos recibos e faturas pode beneficiar de um organizador de documentos fiscais para manter tudo em ordem ao longo do ano. Para profissionais liberais e pequenas empresas, um software de contabilidade acessível pode automatizar grande parte do processo e evitar erros de cálculo.
A importância de uma declaração correta e atempada
Entregar o IRS dentro do prazo não é apenas uma obrigação legal – é também uma oportunidade para otimizar a sua situação fiscal. Uma declaração bem preenchida permite usufruir de todas as deduções a que tem direito, desde despesas de saúde e educação até encargos com imóveis ou lares de idosos. Em muitos casos, isso traduz-se num reembolso mais elevado ou num valor a pagar mais baixo.
Por outro lado, o incumprimento pode ter consequências financeiras graves: além da coima mínima que pode chegar aos 150 euros (ou mais, dependendo do montante em falta), há juros de mora que se acumulam diariamente. Em situações de fraude ou omissão reiterada, a Autoridade Tributária pode ainda instaurar processos de inspeção mais profundos. Por isso, mesmo que o prazo esteja a esgotar-se, o melhor é não desistir e procurar uma solução – seja com recurso a ferramentas digitais, seja com o apoio de um contabilista.
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